Blog EntryCarta aberta à revista Veja (Globish)May 10, '05 3:14 PM
for everyone
Prezada Veja,

não é a primeira vez que fico desapontado com artigos publicados em suas páginas. Fui leitor assíduo da revista na segunda metade da década de 90, mas desde então a revista vem sistematicamente me decepcionando. Queda da qualidade? Talvez. Ou será, por outro lado, que saí de uma "Matrix" em que se meteram os jornalistas e leitores da Veja? Um mundo de pensamento único, à moda 1984, onde apenas idéias pré-fabricadas tem lugar?

Não digo que a revista faz isso intencionalmente, talvez seja pura ignorância, no sentido original do termo. Sua redação e seus jornalistas deveriam ter mais humildade, buscando a verdade factual, evitando opiniões precipitadas e inconseqüentes quanto ao que desconhecem. Seria melhor para a reputação da revista. Ou mais e mais leitores migrarão para a concorrência. Espero que a Veja "reveja" seus pontos de vista, seus métodos; a interpretação cabe ao leitor...

Para não falar de outras coisas, a ponta do iceberg, que me alertou, é a falta de seriedade com que a revista tem tratado temas que são pouco conhecidos pelas massas, ainda esperando passar "ilesa". Não vou citar toda a lista. Limitarei-me às insistentes menções preconceituosas contra o Esperanto, a última no artigo sobre Globish na semana passada. Nesta semana, meu desapontamento ficou completo em ver que a revista insiste em ignorar seu erro.

Falo a língua desde 1996, já participei de congressos nacionais e internacionais, tenho contatos esperantistas em mais de trinta países, bem como minhas melhores amizades foram estabelecidas por meio do Esperanto, assim como uma ou outra paquera. Será tudo isso "artificial", "fracassado", uma "utopia"? Não acho. O Esperanto venceu, a despeito dos fortes, dos ignorantes e dos rotineiros. Atravessou o século XX e chegou com vigor à atualidade, mesmo com jornalistas desinformados o atacando constantemente. É como uma flor que atravessou o asfalto, asfalto da indiferença e do preconceito.

O inglês sim é um fracasso, pois só se mantém por força econômica, política ou mesmo militar. Vejamos se ele vai se manter no médio e longo prazo com a ascensão da China. E se o inglês é mesmo a solução, o que estão fazendo os tradutores na União Européia? Na ONU? Por que inventaram o tal Globish, esse inglês "for dummies"? Se o Esperanto possuísse a seu favor um décimo do orçamento do British Council, seria muito mais conhecido que esse ingrêis fajuto que a gente ouve por aí.

Se o Esperanto fosse uma língua morta, eu e meus amigos seríamos fantasmas agora...

Obrigado
Jimes Vasco Milanez


hdante wrote on May 10, '05

Ae, mandou bem, Jimes ! Mas quem manda ficar lendo a Veja ? Bem
feito !!! :-D
gugafleury wrote on Apr 14, '06
Saluton!

Parabéns amigo pela explanação...vc deu um "baile linguistico" na Veja.
Realmente a visão deles e de todo o universo editorial brasileiro é o total desconhecimento do Esperanto.Infelizmente.

Mas são ações como essas que nos deixam esperançosos com um mundo melhor.

abcs fraternos,

Gustavo Fleury
gugafleury@yahoo.com.br
jimes wrote on Apr 17, '06
Estimata Gustavo,
Dankon pro la komentoj.
Fico feliz que mais pessoas tenham apreciado a resposta. :-)
Amike,
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