Prezada Veja,
não é a primeira vez que fico desapontado com artigos publicados em
suas páginas. Fui leitor assíduo da revista na segunda metade da década
de 90, mas desde então a revista vem sistematicamente me decepcionando.
Queda da qualidade? Talvez. Ou será, por outro lado, que saí de uma
"Matrix" em que se meteram os jornalistas e leitores da Veja? Um mundo
de pensamento único, à moda 1984, onde apenas idéias pré-fabricadas tem
lugar?
Não digo que a revista faz isso intencionalmente, talvez seja pura
ignorância, no sentido original do termo. Sua redação e seus
jornalistas deveriam ter mais humildade, buscando a verdade factual,
evitando opiniões precipitadas e inconseqüentes quanto ao que
desconhecem. Seria melhor para a reputação da revista. Ou mais e mais
leitores migrarão para a concorrência. Espero que a Veja "reveja" seus
pontos de vista, seus métodos; a interpretação cabe ao leitor...
Para não falar de outras coisas, a ponta do iceberg, que me alertou, é
a falta de seriedade com que a revista tem tratado temas que são pouco
conhecidos pelas massas, ainda esperando passar "ilesa". Não vou citar
toda a lista. Limitarei-me às insistentes menções preconceituosas
contra o Esperanto, a última no artigo sobre Globish na semana passada.
Nesta semana, meu desapontamento ficou completo em ver que a revista
insiste em ignorar seu erro.
Falo a língua desde 1996, já participei de congressos nacionais e
internacionais, tenho contatos esperantistas em mais de trinta países,
bem como minhas melhores amizades foram estabelecidas por meio do
Esperanto, assim como uma ou outra paquera. Será tudo isso
"artificial", "fracassado", uma "utopia"? Não acho. O Esperanto venceu,
a despeito dos fortes, dos ignorantes e dos rotineiros. Atravessou o
século XX e chegou com vigor à atualidade, mesmo com jornalistas
desinformados o atacando constantemente. É como uma flor que atravessou
o asfalto, asfalto da indiferença e do preconceito.
O inglês sim é um fracasso, pois só se mantém por força econômica,
política ou mesmo militar. Vejamos se ele vai se manter no médio e
longo prazo com a ascensão da China. E se o inglês é mesmo a solução, o
que estão fazendo os tradutores na União Européia? Na ONU? Por que
inventaram o tal Globish, esse inglês "for dummies"? Se o Esperanto
possuísse a seu favor um décimo do orçamento do British Council, seria
muito mais conhecido que esse ingrêis fajuto que a gente ouve por aí.
Se o Esperanto fosse uma língua morta, eu e meus amigos seríamos fantasmas agora...
Obrigado
Jimes Vasco Milanez
 | Ae, mandou bem, Jimes ! Mas quem manda ficar lendo a Veja ? Bem feito !!! :-D
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 | Saluton!
Parabéns amigo pela explanação...vc deu um "baile linguistico" na Veja. Realmente a visão deles e de todo o universo editorial brasileiro é o total desconhecimento do Esperanto.Infelizmente.
Mas são ações como essas que nos deixam esperançosos com um mundo melhor.
abcs fraternos,
Gustavo Fleury gugafleury@yahoo.com.br |
 | jimes wrote on Apr 17, '06 Estimata Gustavo, Dankon pro la komentoj. Fico feliz que mais pessoas tenham apreciado a resposta. :-) Amike, |
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